“Não gosto e evito crédito”. É o que disse a jornalista Mônica Waldvogel, mediadora do painel “Crédito pra quem não precisa e os novos protagonistas da demanda por crédito” aos painelistas. O encontro ocorreu nesta quarta-feira (28/04) durante o Congresso Consumidor Moderno de Crédito e Cobrança (CCMCC), no Hotel Transamérica, em São Paulo.
A jornalista confessa que é do tipo de pessoa que poupa dinheiro para só comprar um bem de valor elevado depois de acumular recursos na poupança e questiona os painelistas: “Se tivessem que me oferecer crédito, o que fariam para me convencer?”. Por outro lado, Mônica avalia: “O tema do encontro mostra o quanto o País presencia um momento favorável”. O mercado de crédito representa hoje 45% do PIB. Essa mesma relação esteve anos atrás em apenas 17%.
Em seguida, Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, fala do Brasil como um mercado potencial para o crédito. Para ele, com a crise dos subprimes nos Estados Unidos, o mundo procura agora onde está o novo tomador de crédito não endividado para substituir o americano. E esse perfil, aponta, se encontra nos países BRICs (Brasil, Rússia, China e Índia). “Esse novo consumidor veio para ficar. No Brasil aumentamos a oferta de crédito e o número de consumidores de classe média devido a isso. Parece que acordamos num dia com uma nova classe média”, avalia.
Goldfajn diz não acreditar que exista uma economia que não precisa de crédito. “Pode ser ineficiente, por exemplo, acumular riqueza para comprar um imóvel anos após a decisão de compra. Seriam muitos anos sem desfrutar deste bem. A aversão ao crédito é um elemento cultural construído num País que não tinha a macroeconomia consolidada de agora, onde o juro e a inflação era elevada e os salários, em contrapartida, eram achatados”. Neste momento, a jornalista admite que já adquiriu um imóvel em parcelas.
Cartão Conveniente
O mercado de cartões está em ascensão. Já são 38 bancos emissores, 521 milhões de plásticos, mais de 1,5 milhão de lojistas atendidos e cartões é o produto de crédito que mais vai crescer que mais no País nos próximos anos, atrás somente do imobiliário.
Ivo Vietas, diretor executivo do Itaú Unibanco (Hipercard), lembra Mônica que o cartão de crédito pode ser o usado como um produto conveniente onde o usuário pode usá-lo para pagar um jantar, por exemplo, sem ser preciso portar dinheiro. E até mesmo a jornalista brinca: “Tudo bem, você me pegou. Eu uso cartão de crédito”.