Sistema de informações sobre bons pagadores promete premiar, finalmente, quem está sempre acostumado a pagar a conta pelos caloteiros.
O bom pagador que, tradicionalmente, arca com a conta dos inadimplentes promete ser o grande beneficiado com a adoção do Cadastro Positivo no Brasil. A avaliação é de representantes de bureaus de crédito – Equifax, Serasa Experian e Boa Vista Serviços – e de instituições financeiras – Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento). Eles participam do Congresso Consumidor Moderno de Crédito, Cobrança e Meios de Pagamento (CCMCC) 2001, que acontece de 1 a 2 de junho, em São Paulo.
Ainda de acordo com os executivos, o Cadastro Positivo trará outros ganhos para a população, em geral, no sentido de facilitar o acesso ao sistema financeiro, mais particularmente aquela camada que não tem acesso a bancos. Outros aspectos positivos estão relacionados à facilitação no processo de concessão de crédito e à provável redução na taxa de juros para pessoas físicas. Eles chamam a atenção também que ele será uma ferramenta importante no processo de educação financeira dos brasileiros.
Após aprovada na Câmara com 72 emendas, a MP que institui o cadastro dos bons pagadores passou também pelo Senado e tem até o dia 9 de junho para ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff.
“O Cadastro Positivo é um ativo referente à reputação do consumidor. Ele irá mostrar quem são as pessoas que sempre compram a crédito e que nunca deixaram de pagar uma única parcela”, resume Marcelo Finotti, diretor de marketing e produtos Equifax que acaba de se unir à Boa Vista Serviços. E completa, “a inadimplência tem um efeito devastador. Um número maior de pessoas precisa pagar integralmente para cobrir um indivíduo que não faz isso. No Brasil, em geral, essa relação é de 80% adimplentes ante 20% inadimplentes.”
Simone Lima, gerente corporativa da Serasa Experian faz coro.” Os bons pagam pelos maus”. Ela chama a atenção para o fato de que a taxa de inadimplência brasileira é uma das mais elevadas do mundo em torno de 6% a 7%, índice que supera até mesmo o verificado nos Estados Unidos, país que foi fortemente afetado pela crise econômica iniciada no fim de 2008.
Na avaliação de Fernando Sacco, gerente jurídico da Boa Vista Serviços, o atual sistema, baseado apenas na negativação, gera uma antipatia da população pelo serviço que vê o acesso a esse tipo de informação como um obstáculo na hora de comprar. Para a executiva do Serasa, o Cadastro Negativo discrimina também a população que tem histórico favorável. “Aqueles que honram com os compromissos financeiros não são conhecidos. A criação de um bureau positivo traz equilíbrio”.