As hipotecas, modalidade de crédito onde se coloca um bem como garantia de um financiamento e um dos principais elementos da crise dos subprimes nos Estados Unidos em 2008, tem muito espaço para crescer no Brasil, mas com consciência. “Hipoteca no Brasil: os cuidados para não repetirmos os mesmos erros dos países desenvolvidos” foi tema de palestra, nesta quarta-feira (01/06), no CCMCC.
No mercado imobiliário a hipoteca é muito usada onde o construtor/incorporador coloca um terreno como garantia das operações. E os principais bancos do País, como o Bradesco, por exemplo, oferecem esse tipo de operação. José Augusto Périgo, consultor de Segmentos da Serasa Experian, lembra que no ano fiscal de 2010 houve crescimento de 65% no volume de financiamentos. “Três pilares levaram a esse aumento: momento econômico favorável, aliado a manutenção das taxas de juros e o marco regulatório para o setor, com a alienação fiduciária”, aponta.
Antigamente, em uma operação hipotecária, 100% de uma obra era financiada no Bradesco. Olhando para o exemplo do mercado externo, onde houve crise dos subprimes, o setor criou escudos. “Financiamos agora, como prática de mercado, 80% do empreendimento e o terreno onde é construído, muitas vezes, é a própria garantia”, explica Martinez.
Martinez coloca que é preciso ter uma concessão de crédito consistente para que no momento em que a torneira secar em relação a poupança, o próprio ativo gerado pelo setor seja o funding que provê a sustentabilidade do sistema. “Nos próximos anos a curva de crescimento não será tão acentuada, mas continuará positiva. O risco inerente ao nosso mercado existe”, encerra.