Sinal amarelo para a venda de veículos

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“Entramos com apetite e muita fome, então agora é a hora da dieta”. A frase é de Thierry Soret, gerente-executivo de crédito do Banco Volkswagen, para ilustrar o atual momento vivenciado pelo segmento de financiamento para veículos. Embora as vendas continuem a crescer – apenas em 2010,  435 mil pessoas compraram o primeiro veículo zero -, o sinal amarelo começa a piscar em virtude do aumento da inadimplência que pode refletir em boa parte das medidas macroprudenciais adotadas pelo governo para conter o consumo e o crédito no País diante do recrudescimento da inflação.

Durante o painel Crédito para automóveis – Cenários e riscos, no Congresso Consumidor Moderno de Crédito, Cobrança e Meios de Pagamento (CCMCC), o executivo faz reflexões sobre o efeito do que define como “voo cego” que o segmento de financiamento de veículos se lançou quando resolveu oferecer empréstimos de longo prazo, com entradas reduzidas a fim de atrair uma nova classe de consumidores até então pouco conhecida. “Agora, que já estabelecemos um relacionamento com esse público, chegou a fase dos ajustes”.

Ele chama atenção para o fato de a inadimplência estar em uma curva ascendente tanto em 30 quanto em 90 dias. “Em geral, nas classes de menor renda, o veículo não é o principal bem de sobrevivência. Ele prefere perdê-lo no lugar de outro mais essencial como, por exemplo, o imóvel próprio. Se essas faixas de atraso se tornarem maiores, fica cada vez mais difícil fazer a recuperação dessas perdas. O mercado financeiro está tentando entender quais motivos estão gerando essa situação. Consequentemente, os bancos vão passar a tomar mais cuidado no processo de concessão de crédito que também deverá ter um custo mais elevado e uma oferta menor”.

Paralelamente a questão da elevação da inadimplência ser um não um reflexo no aperto ao crédito promovido pelas medidas macroprudenciais, tais ações já provocam mudanças na forma de aquisição dos veículos. De acordo com dados apresentados por Soret, de janeiro a abril de 2010 do total de veículos vendidos, 66% foram financiados. Em igual período deste ano, esse índice caiu para 61%. Há ainda outro efeito a ser considerado que é o da aquisição feita por locadoras e empresas com grande frota de veículos que também preferem comprar em uma única vez a fim de garantir descontos. Outro tipo de modalidade que começa a despontar é a de consórcios. Em março de 2011, a divisão por categorias de aquisição obedecia a seguinte divisão: financiamento (49%), à vista ( 39%), leasing (6%) e consórcio (6%).

Projeções

Quanto às estimativas para o comportamento do segmento de crédito automotivo no comparativo entre 2010 e 2011, segundo as informações do executivo, a produção deve crescer 1,1%, o licenciamento avançar 5% e a exportação recuar 4,7%. Quanto a motocicletas, tanto as vendas quanto a produção devem crescer 10%.
CCMCC.com.br