Em um período propício para procura ainda maior por crédito, devido à redução dos juros, o consumidor está mais empolgado para realizar sonhos e concretizar tudo aquilo que só o dinheiro compra. No entanto, cabe às instituições procurar formas de se antecipar a possíveis inadimplências e, além da educação financeira e concessão de crédito consciente, mapear o risco que aquele consumidor pode oferecer.
Para isso, existem os modelos preditivos, que têm como missão captar informações históricas para traçar probabilidades. Antonio Kikuti Gomes, diretor de modelos preditivos da C&M Software falou sobre esse tema no painel “Ferramentas, mecanismos e estratégias para análise de inadimplência e recuperação”, que aconteceu no primeiro dia do Congresso Consumidor Moderno de Crédito e Cobrança (CCMCC).
No painel, Kikuti apresentou e discursou sobre os modelos preditivos existentes no mercado. Prospect, serve para a prospecção de novos clientes; Propensão, identificar probabilidade de cliente adquirir novos produtos ou serviços oferecidos; Aquisição, possibilita identificar se cliente tem capacidade de honrar com pagamentos; Manutenção, classifica o comportamento do consumidor em pontos (behaviour); Recuperação, a propensão do cliente em atraso pagar seus débitos; Cancelamento, modelo pouco usado, mas que identifica a probabilidade de intenção de cancelamento; Fraude, analisa possibilidades de fraude própria (cliente mentir renda para ter limite alto, por exemplo) ou de terceiros; Precificação, permite adequar, por exemplo, a taxa de juros que será ofertada, de acordo com o perfil do cliente devedor.
Todos esses modelos rastreiam informações internas e externas do indivíduo. “Mesmo o cliente que paga as contas da instituição em dia deve ter o histórico e o comportamento no mercado analisado. Ele pode ser um bom pagador comigo, mas ter mais de vinte restrições no mercado, então não vou aumentar o limite dele", explica Kikuti.
O diretor comenta que a principal diferença entre a C&M Software e as concorrentes é que após as etapas básicas de consultoria (planejamento, desenvolvimento e validação do modelo), a empresa se preocupa em participar da implantação do projeto. “Não queremos que seja apenas mais um power point, é para usar efetivamente o processo”, diz.
Além disso, Kikuti explica a importância do monitoramento conjunto. “O monitoramento deve ser acompanhado por quem desenvolve a fórmula, visando, inclusive os reguladores do setor", afirma.
Informação à mão
Dois sites podem agregar informações preciosas à análise de crédito de uma instituição. Kikuti explica que a base da Receita Federal possibilita identificar se o cliente recebeu a restituição do imposto de renda e em qual agência isso ocorreu. Grande parte das instituições bancárias utiliza numeração diferente para agências premium, o que já identifica se o cliente possui alto poder aquisitivo.
O executivo ainda dá outra dica aos congressistas. “Pouca gente consulta as informações do SCR (Sistema de Informações de Crédito do Banco Central do Brasil). É um agregador muito importante para análise de crédito, pois concentra todas as tomadas acima de R$ 1 mil. Isso representa mais de 90% do mercado”, comenta.