Educação para o consumo responsável
No painel “Propostas para educação do consumo rumo ao crédito consciente”, realizado no fim da manhã do primeiro dia do Congresso Consumidor Moderno de Crédito, Cobrança e Meios de Pagamento (CCMCC), a responsabilidade das empresas na educação para o consumo responsável de produtos e serviços e na construção de relacionamento sustentáveis com seus clientes foi o foco do debate.
O Brasil experimentou nos últimos anos, com a estabilidade econômica, um crescimento consistente do consumo pautado pelo crédito. “Vivemos um momento de crise, que nos permite uma parada para uma reflexão importante sobre consumo. O crédito viabiliza a riqueza, alavanca o consumo, apóia a inclusão social da baixa renda, e permite a realização de sonhos, entre outros, desde que usado corretamente”, disse Ricardo Terenzi, diretor de relações institucionais do Itaú. “Se usado de forma inapropriada, o consumo de crédito pode levar ao endividamento improdutivo, afetando, inclusive o bem-estar e a auto-estima do consumidor”, completou.
No caso do Itaú, a busca por ser um banco sustentável e manter relações sustentáveis e de longo prazo com todos os seus públicos – consumidores, clientes, parceiros, fornecedores, colaboradores e acionistas, segue com o compromisso de orientar sobre o uso responsável dos serviços financeiros.
Para isso, o banco começou em 2004 uma campanha de conscientização com o posicionamento: “crédito para realizar sonhos e não para tirar o seu sono”. Realizada em diversos canais, inclusive com a publicação de cartilhas, o objetivo era a educação financeira, ser transparente com os públicos da empresa e garantir uma experiência positiva a todos.
Já, em 2005, o crescimento dos financiamentos para a expansão das empresas levou ao banco a focar nos clientes Pessoa Jurídica. Em 2006, o programa foi ampliado e buscou ouvir o cliente.
Nos anos seguintes e em 2008, o programa de passou do foco em questões financeiras para as práticas responsáveis, como acessibilidade, uso seguro da internet e consumo consciente da conta-corrente e do crédito.
Atualmente, as ações de conscientização do Itaú pretendem atingir a família brasileira. “O orçamento familiar é a base de tudo”, afirmou Terenzi. “As cartilhas agora falam da administração desse orçamento, como falar com os filhos sobre dinheiro, como sair do vermelho e qual é a hora de investir. Também reeditamos a cartilha do crédito, do cartão de crédito e da conta-corrente”, explicou.
“O que gostaria de passar aqui é que ao longo do tempo, as empresas podem tratar de relações de consumo com seus públicos, entendendo a necessidades deles e levando-os a experimentar o consumo de forma consciente, positiva”, afirmou Terenzi.
Segundo Paulo Capoletti, gerente-geral da unidade de negócios Pessoa Física da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), há muitas empresas que se preocupam com o consumo consciente.
“A ACSP tem contribuído com a educação financeira. Temos o programa ‘Movimento de Apoio ao Consumidor (MAC), que conta com balcões de atendimento”, conta Capoletti.
Existem dois em funcionamento na cidade de São Paulo (SP) e mais dois serão abertos. Ali, o consumidor pode consultar se tem algum débito e receber orientação sobre como renegociar a dívida, sanar os débitos e para onde deve se dirigir. São realizados cerca de 50 mil atendimentos por mês.
A ACSP também conta com cartilhas que orientam o consumidor a construir seu orçamento doméstico.
“Pesquisas mostram que o primeiro motivo para a inadimplência é a perda de emprego e o segundo é a falta de orientação”, aponta Capoletti. “Então, toda ação de orientação é louvável”, finaliza.
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