O Brasil numa ótica positiva
Palestrantes abordam a crise europeia, a solidez da economia brasileira e os rumos do País com a proximidade das eleições Com escala na crise europeia, a última plenária do CCMCC guiou os ouvintes a um passeio pelo atual cenário econômico do Brasil. George Vidor, jornalista econômico, Ricardo Amorim, presidente da Ricam Consultoria Empresarial, Maílson da Nóbrega, sócio da Tendências Consultoria, com a participação da jornalista Miriam Leitão na mediação, mantiveram um bate papo animado e otimista sobre os desafios e o futuro do País.
Se há dez anos o Brasil sucumbia às crises mundiais, desta vez passou praticamente ileso ao tremor econômico nos EUA e quase não percebe as influências negativas vindas recentemente da Europa. “Antes as crises de crédito no País eram causadas por causa da volatilidade. Diminuía o PIB e por consequência a capacidade de pagamento. Tudo mudavam e as pessoas não tinham como pagar. Hoje o Brasil não é mais volátil, tem também uma ótima regulação financeira”, defende Maílson.
Ricardo Amorim também acredita na consistência financeira atingida nos últimos anos. “Tem uma bolha de crédito e vai estourar, provavelmente no setor imobiliário. Mas não agora, talvez nos próximos 10, 20 anos”, afirma Amorim. Enquanto o crédito imobiliário representa apenas 3% no Brasil, nos EUA atinge a marca de 80%. “Nós conseguimos este boom com apenas 3%. Ainda é muito pequeno. Mas estamos emergindo. Há 25 anos o nosso índice de crescimento era menor do que a média dos outros países. A água subia e nós conseguíamos acima de nós. Hoje não é assim...”, conclui.
Ordem na casa
“Se a Selic crescer muito, pode desarrumar a casa. O que temos de fazer é administrar o nosso vulcão. Estamos numa espiral positiva. E vamos, sim, chegar a ver o Brasil como um país desenvolvido. Não é um horizonte longe”, afirma George Vidor. Na última quarta-feira, 28, o Banco Central e o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciaram o aumento da taxa de juros em 0,75%. Nenhum dos palestrantes criticou a medida.
Entre eles houve o consenso, o Brasil cresceu acima da média e se o BC não intervir a economia continuará desequilibrada, com risco alto de inflação desenfreada. “Temo que se não soubermos cuidar desse vulcão não vamos conseguir crescer o quanto podemos. O mercado financeiro sacou o risco da inflação e agiu. Se o BC não tivesse feito nada, acredito que a profecia se realizaria”, diz Vidor.
Para Maílson, o Brasil acerta em ter um órgão centralizado nas questões de regulação financeira. Seguir o exemplo dos EUA, onde as tarefas são subdivididas entre órgãos, seria um erro. “Os EUA é uma colcha de retalho. Aqui temos um regulador muito competente. Não entramos na loucura de divisão. E se entrarmos na onda americana de não regulamentar o mercado, poderemos sim acreditar numa crise séria”.
Próximas eleições
Apesar do receio em por fim aos programas assistenciais, a base sólida da economia brasileira não será abalada com os planos do futuro (ou futura – Miriam Leitão fez questão de comemorar a presença feminina de peso no pleito) presidente. Maílson defende que até mesmo a taxa de juros deve seguir em alta, apesar das eleições. “O Lula sabe que para manter a popularidade é fundamental manter a estabilidade”. A mediadora Miriam Leitão complementou a discussão: “O que realmente incomoda a população é a inflação, o juros gera uma conversinha, mas não tanto quanto o medo da inflação”.
Para eles a mudança no governo não deve ser tão drástica, assim como as dúvidas existentes durante a transição entre FHC e Lula não será carregada ao próximo pleito. “Não vejo risco nenhum. O percentual de incógnita é muito pequeno”, afirma George Vidor. “O Brasil caminha para que suas instituições definam os rumos e não os presidentes. Não vai gerar uma ruptura tão grande”, completa Maílson.
Ricardo Amorim acredita que os dois candidatos com mais chance de vitória são extremamente parecidos. “Mesmo analisando sob o ponto de vista político não são diferentes, e não será instável. As mudanças serão muito menores”.
Apesar de algumas ressalvas preocupantes, os economistas veem o futuro brasileiro de forma positiva. Entre os riscos a serem evitados, destacam a taxa de câmbio. “Temos de ter nossa própria regulamentação de câmbio. O País cresce e deve continuar crescendo. Nós fazemos acontecer, por isso manter um câmbio flutuante é extremamente importante”, diz Amorim. George Vidor e Maílson também não veem riscos sérios à estabilidade econômica. E Amorim lança um dado animador: “Se continuarmos crescendo no ritmo que estamos desde 2007, e o resto da economia mundial também, nos próximos anos serão, nesta ordem: China, EUA, Japão, Índia e Brasil”.
| < Anterior | Próximo > |
|---|
CCMCC 2010
Depoimentos
Franck Vignard, Cetelem
Ricardo Terenzi, Banco Itaú
O CCMCC... é da maior relevância... O Brasil tem desempenhado muito bem suas atividades em reagir a essa crise, e você fazer eventos como esse, que tragam essa discussão, reflexão, esse olhar diferenciado, para fazer disso um processo de aprendizado muito forte.
Ricardo Terenzi
Diretor de Relações Institucionais do Banco Itaú
Lola Oliveira, ACSP
Crédito e cobrança é um assunto que deve ser discutido sempre, independentemente do momento econômico vivido no País. O que muda conforme o ambiente é o enfoque que se dá a determinados tipos de estratégia de crédito ou de cobrança.
Lola Oliveira
Gerente de procedimentos e modelos analíticos da ACSP
Fernando Brasileiro, Cibrasec
O CCMCC é uma chance das pessoas trocarem ideias e perspectivas a respeito de um cenário econômico instável, que a princípio é uma situação atípica. Com a mudança do mercado e do próprio hábito de consumo, da forma de financiar o consumidor, é preciso revistar as práticas e trocar experiências com outros setores da economia.
Fernando Brasileiro
Diretor-presidente da Cibrasec





