Crédito faz a diferença entre bancos
Por Leandro ModéA safra de balanços do 3º trimestre dos maiores bancos de varejo do País mostra, na média, lucros inferiores aos do mesmo período do ano passado e confirma que a grande diferença entre eles se deu na disposição de emprestar. Depois de Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Caixa, ontem foi a vez de o Banco do Brasil divulgar os resultados trimestrais, que mostraram ganhos 6% maiores que os de igual período de 2008 (ler mais abaixo).
"O divisor de águas desse trimestre foi o crédito, notadamente os segmentos que se beneficiaram das medidas anticíclicas do governo, casos do financiamento de veículos e dos empréstimos consignados em folha de pagamento", sintetizou o analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu.
"De forma geral, posso dizer que os números de Santander e Bradesco foram fracos, os do Itaú Unibanco foram bons e os do Banco do Brasil, razoavelmente bons", completou o analista de bancos da Consultoria Lopes Filho, João Augusto Frota Salles.
Aqui vale uma explicação: os analistas fazem previsões dos resultados para balizar seus clientes na hora de comprar ou vender uma ação. Neste trimestre, o Itaú superou as projeções médias, enquanto Santander e Bradesco ficaram abaixo. No Banco do Brasil, os números vieram dentro do esperado - uma vez que os especialistas já embutiam nas projeções uma forte expansão do crédito.
Vale também lembrar que, no auge da crise, o governo, acionista majoritário do BB, trocou parte da diretoria (inclusive o presidente) com objetivo de estimular a concessão de empréstimos. Salles ressalta que, no caso específico do Itaú, a avaliação positiva do mercado é explicada pelos ganhos da instituição na área de tesouraria (que administra os recursos do próprio banco).
Santacreu lembra que o governo ampliou o limite do consignado para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Antes, eles podiam comprometer só 20% do benefício mensal com a parcela do empréstimo. A mudança o elevou para 30%.
O analista também citou a redução do IPI para a compra de veículos, o que estimulou a indústria automotiva e, por tabela, os financiamentos do setor. "Quem melhor aproveitou essas alterações foi o Banco do Brasil, que ocupou espaço em dois segmentos nos quais era fraco", observou.
O balanço de ontem mostra que a carteira de crédito consignado no BB avançou 133,7% entre setembro de 2008 e 2009. Turbinados pela parceria com o Banco Votorantim, os empréstimos na área de veículos subiram 243,4% no mesmo período.
TENDÊNCIA
Segundo dados compilados pela Austin Rating, a carteira de crédito cresceu 41,2% no BB entre setembro do ano passado e setembro deste ano, 5,2% no Itaú Unibanco, 12,7% no Bradesco, 61% na Caixa Econômica Federal (puxado pelos financiamentos imobiliários) e 4,4% no Santander Real.
Salles acredita que o panorama do setor não mudará muito no último trimestre do ano. "Provavelmente vamos ver uma estabilização do que ocorreu no terceiro trimestre", afirmou. Os efeitos da crise nos balanços, observou, já ficaram para trás.
No entanto, ele avalia que levará mais tempo para que os bancos retomem o ritmo de crescimento do período pré-crise. "Acho que só no segundo trimestre do ano que vem, pois o primeiro é marcado pela sazonalidade, com pagamentos de matrículas escolares e vários impostos."
Os dados do terceiro trimestre também revelam que o pior, em termos de inadimplência, ficou para trás. Segundo executivos dos bancos, a tendência é de estabilização dos índices no quarto trimestre e queda a partir daí. "O pico já foi superado", disse ontem o vice-presidente do BB, Ivan Monteiro. (O Estado de S. Paulo/ Pag. B4)
Adicionar esta página em sua Rede Social
| Comentários |
|
|
Powered by !JoomlaComment 4.0 beta2

