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Bancos aumentam carteiras de crédito

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Ter, 17 de Novembro de 2009 09:00

Bancos aumentam carteiras de créditoFinanças: Perspectivas são de maior crescimento durante 2010; mercado externo de capitais ajuda
Passado um ano do pior momento da crise, o crédito bancário no Brasil apresenta sinais de volta à normalidade, com juros em queda, prazos de pagamento mais longos e inadimplência mostrando sinais de estabilidade. É no segmento da pessoa física que a retomada começou com mais força. Os grandes e médios bancos privados já mostram mais apetite para aumentar carteiras.

As concessões devem crescer ainda mais em 2010. Os bancos se preparam agora para fazer frente à expansão do estoque de linhas nos níveis vistos nos últimos seis anos, quando o crescimento médio anual ficou na casa dos 26%.

"O Brasil não foi tão afetado quanto outros países e já estamos olhando a crise pelo retrovisor", diz Nilton Pelegrino, diretor de crédito do Bradesco, terceiro maior do país. Para ele, "dentro de um quadro bem realista, podemos crescer a carteira de crédito entre 20% e 22% no próximo ano". Silvio de Carvalho, diretor do Itaú Unibanco, também aposta nos níveis entre 20% e 25% de crescimento. Neste ano a previsão é de avanço entre 15% e 20%.

O mercado de capitais internacional ajuda, pois voltou a ser fonte de recursos de longo prazo para empresas e bancos brasileiros de grande e até médio porte, segundo Ricardo Leoni, superintendente de mercado de capitais do Santander. Os investimentos maciços em infraestrutura para o Pré-Sal, Olimpíada e Copa do Mundo também vão demandar volumes consideráveis de financiamento.

"Se tivermos um crescimento de 4,5% a 5% no Produto Interno Bruto em 2010, como se espera, o financiamento de bens duráveis ao consumidor e mesmo as linhas para pessoas jurídicas devem se recuperar", diz Rubens Sardenberg, economista-chefe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). "Isso sem contar o crédito imobiliário, que é a bola da vez."

Na verdade, mesmo em meio ao pior momento da crise de crédito externo, que se iniciou em 15 setembro de 2008 com a quebra da Lehman Brothers, o saldo total de crédito não parou de subir em relação ao PIB. Pulou de 21,8% em 2003 para 38,7% em setembro de 2008, e para os atuais 45,7%, um recorde histórico, segundo o BC.

Mas o estoque de empréstimos, que apresentava crescimento anualizado de 34,5%, em setembro de 2008, desacelerou nos últimos doze meses, fechando setembro deste ano com taxa de expansão de 16,9%, praticamente metade do ritmo pré-crise, por conta da retração dos bancos privados, tanto nacionais e quanto estrangeiros.

Foram os bancos públicos que tiveram atuação de maior destaque, mantendo o crédito às empresas e ao consumidor no momento mais crítico de escassez. O Banco do Brasil, maior instituição do país, ampliou sua participação de mercado em 2,3 pontos percentuais, passando de 16,4%, em setembro do ano passado, para 18,7% em junho deste ano.

"Muitos achavam que nossa estratégia era arriscada, mas aceleramos as concessões, com redução de juros e conseguimos manter a qualidade da nossa carteira acima da média de mercado", afirma Ricardo Flores, diretor de crédito do Banco do Brasil. "Agora, na retomada, saímos na frente da concorrência e o objetivo é manter a participação que ganhamos durante a crise", completou.

O BNDES foi capitalizado pelo Tesouro, em R$ 100 bilhões, e pôde garantir os empréstimos às corporações e os investimentos em infraestrutura. A Caixa Econômica Federal recebeu injeção de capital e cresceu no setor imobiliário. Os bancos públicos respondem hoje por 40,6% do estoque total de empréstimos, com 40,7% nas mãos dos privados nacionais e outros 18,7% com estrangeiros.

A inadimplência das empresas, no entanto, ainda não parou de subir, atingindo um recorde histórico. Os atrasos acima de 90 dias das pessoas jurídicas pularam de 1,6%, em setembro de 2008 para 4% em setembro deste ano. Entre as pessoas físicas, esse índice subiu menos, de 7,3% para 8,2% no mesmo período. Nos dois casos já há sinais de estabilidade. "Se o cenário se mantiver dentro de certa normalidade, a inadimplência deve cair a partir do próximo ano, com a melhora da renda e do emprego vistos nos últimos meses", diz Carvalho, do Itaú Unibanco.

Com o cenário de menor risco e a proximidade do fim do ano, quando sazonalmente a produção e o consumo se aceleram, os bancos se preparam para reativar com mais força suas áreas de crédito. A média diária de concessão atingiu R$ 7,3 bilhões em setembro, mesmo nível de antes da crise, embora essa média para pessoa jurídica tenha caído 7,1% em 12 meses.
 
Consignado e imobiliário são bola da vez

 
O segmento de crédito consignado - com desconto em folha de pagamento ou na conta de benefícios da Previdência - e de crédito imobiliário são considerados alguns dos mais atrativos e promissores para 2010, embora o crédito para empresas também possa passar por uma retomada no ano que vem, segundo os analistas e banqueiros.

No segundo semestre, com o mercado externo aberto e muito receptivo para a emissão de bônus de bancos, inúmeras instituições de médio porte ativas no crédito consignado, para consumo e também na concessão de empréstimos para empresas médias e pequenas conseguiram obter recursos de longo prazo no exterior para financiar a expansão de carteiras.

O Fibra e o BMG chegaram até mesmo a captar US$ 110 milhões e US$ 300 milhões, respectivamente, em emissão de dívida subordinada, que entra como capital no balanço das instituições financeiras. Com a transação, o BMG vai conseguir ampliar sua carteira de crédito em R$ 8 bilhões, diz o diretor financeiro, Ricardo Gelbaum.

O BMG, segundo ele, vê um enorme potencial no crédito consignado, que, hoje, já vem crescendo. O saldo total teve aumento de 32% em setembro em bases anuais, segundo o BC. O BMG ampliou sua carteira de R$ 15,8 bilhões em junho para R$ 17 bilhões em setembro. Segundo Gelbaum, hoje apenas 40% a 45% do total de aposentados e funcionários públicos no Brasil tomam esse tipo de crédito.

Outro segmento que atrai cada vez mais a atenção das instituições são os empréstimos para a compra da casa própria. Apesar da participação ainda pequena na carteira dos bancos, representando pouco mais de 3,5% do PIB, bastante abaixo dos níveis de outros países emergentes, as perspectivas são bastante favoráveis, dado o imenso déficit habitacional que chega a 6,5 milhões de moradias, segundo dados da Fundação João Pinheiro, de 2006.

O estoque de crédito para habitação chegou a R$ 78,6 bilhões em setembro de 2009, com avanço de 43% nos últimos doze meses. As novas concessões neste ano devem superar os R$ 32 bilhões, entre recursos para a construção e os consumidores. "Nossa projeção é que a participação do financiamento imobiliário possa chegar a 10% do PIB nos próximos 10 anos", disse o diretor do Bradesco Nilton Pelegrino. Há ainda o programa do governo federal, Minha Casa Minha Vida, que prevê a construção de um milhão de moradias para famílias com renda de até 10 salários mínimos. Com parte do financiamento subsidiado pelo Estado, a previsão é de que os recursos cheguem a R$ 34 bilhões nos próximos anos.

O mercado interno de capitais de títulos de renda fixa também começa a dar sinal de vida, com R$ 20,6 bilhões levantados em debêntures, notas promissórias e FIDCs, os fundos de investimento em direito creditório, a securitização de recebíveis à brasileira. O grau de investimento dado em setembro pela Moody's, a última agência que faltava para considerar o Brasil investimento não especulativo, contribuiu para o país levantar US$ 10,5 bilhões no exterior em outubro, um recorde.(F.T. e C.P.L.)
 

 
Fernando Travaglini e Cristiane Perini Lucchesi, de São Paulo

Fonte: Valor Econômico





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